THE TAMBORINES

ENTREVISTA

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Andhye Iore - Ride, Belle & Sebastian, Byrds, Velvet Underground, Monkees, Teenage Fanclub. Tanto se fala em referências na sonoridade do Tamborines. Definitivamente, uma vez que você é o compositor das canções, qual a concepção musical da banda e o que realmente influenciou no som?

Henrique Laurindo - Todas as bandas que vc citou vivem ou viveram realidades muito distintas entre si. Gosto de todas elas mas não acho que a música dos Tamborines tenha relação às produzidas por estes grupos. Busco fazer coisas simples mas que tenham sentido, pelo menos para mim mesmo. O pessoal da banda entende bem isso e cria um ambiente para que a música se desenvolva a partir da visão deles. Mas, a sonoridade da banda não parte só de referências musicais, algumas musicas foram compostas a partir de imagens cinematográficas, fotográficas, literárias... gosto disso, das imagens que as músicas produzem.

Qual o posicionamento de vocês em relação à cidade onde moram, uma vez que o Tamborines chega a ser mais conhecido fora de Maringá? E, se for analisar, também tocaram mais fora da cidade...

Pois é... em Maringá as coisas ainda não são tão favoráveis aos Tamborines ou qualquer outra banda local. Há ótimas pessoas fazendo música por aqui. São pessoas que acompanham as mudanças, crescem individualmente, respeitam e buscam novas informações. Só temos que agradecer às pessoas que realmente apóiam uma possível cena local. Há troca de informações, materiais etc... o Foolish, por exemplo: evoluiu muito sonoramente e lançou um ótimo disco que foi bem recebido pelo Brasil afora. Isso é ótimo para a cena local. Mas, algumas pessoas não vêem isso. Ainda rola uma resistência, principalmente por parte daqueles que vivem da imagem que a cidade tinha há dois ou três anos atrás. Para essas pessoas os Tamborines não representam muito. Devo dizer que a recíproca é verdadeira.

Uma outra análise pode ser feita em relação à projeção da banda. Vocês tiveram uma ótima repercussão levando em conta que lançaram só um disco com quatro canções. Como passa isso na cabeça de vocês?

Se contarmos com "Neighbors" (cover do duo texano Mild7, que foi lançado recentemente em uma coletânea nos EUA) temos cinco músicas lançadas. Essa repercussão é realmente algo que nos surpreende. Já começou com o convite para tocar na MTV, no especial de bandas nacionais (que aliás, fiquei sabendo, nunca foi ao ar porque o áudio ficou uma droga). Desde a primeira resenha sobre o ep até esta entrevista, sempre me passa na mente: o que vem agora? Eu percebi o quanto os Tamborines tinham conseguido, digo em termos de musicalidade, quando o apresentador da radio Crystal Blue, de New York, comentou que "Nassaince de la Folie" era uma das músicas mais bonitas que ele já tinha ouvido! Sou muito orgulhoso deste ep. Apesar das particularidades nem sempre boas que rolaram na gravação ele ficou exatamente como queríamos. Não há nada gratuito. Não quisemos imitar ninguém e nem provar nada. Há coesão entre os sons, climas e até na seqüência das letras e isso já foi bem percebido em algumas oportunidades.

Por que você acha que não se forma uma cena independente no Brasil?

Ainda estamos no início desta cena. Muita coisa ainda vai acontecer...outras já estão acontecendo. A atenção de publicações gringas dada às bandas nacionais está fazendo com que as pessoas aqui abandonem esta visão de que o indie nacional nunca vai dar em nada. Os selos indies (MM Records, Monstro, Slag, Ordinary) estão lançando material de ótima qualidade, o que falta é uma distribuição mais eficaz. Não é só ler fanzines nem comprar o cd, camiseta, etc... das bandas indies nacionais. Isso até tem rolado. Faltam festivais mais organizados em que as bandas tenham a possibilidade de tocar e receber uma estrutura mínima ( passagens, estadia, aparelhagem, etc.) para que possam atrair o público interessado. Disse certa vez e repito: neste ponto o pessoal do hard-core está muito mais organizado.

Qual a importância da internet no trabalho de vocês?

Como não dispomos de muito dinheiro, a internet tem facilitado o esquema de distribuição para divulgar nosso trabalho. Desde o início tem dado resultados muito satisfatórios...com certeza vamos continuar a usar este veículo... Sempre dou uma olhada na nossa página de mp3 para saber quantas pessoas já ouviram nossas músicas, se há alguma outra radio mp3 no exterior tocando e quais os comentários a respeito da banda.

Você acha que a internet pode ser um meio de sobrevivência a esse meio frente às portas fechadas das gravadoras?

Pode ser. Eu não sei. como a maioria das pessoas que conheço, gosto de conhecer coisas novas pela internet, mas geralmente eu compro o cd se gostar do material.

Apesar de vocês terem distribuição da Midsummer Madness, o retorno ainda é menor que poderia ser. Como é a relação entre banda, distribuição e mídia?

Como já disse, não esperávamos a repercussão que ep teve, então não planejamos em nada, não nos organizamos em relação à distribuição. Mas, temos plena consciência de que há vários níveis de mercado e que infelizmente a atenção dada às bandas independentes ainda é minúsculo. mas isso é algo que pode mudar.

Qual a concepção visual da banda, uma vez que vocês se apresentam com "bem vestidos"?

Desde o início, queríamos mostrar que a nossa postura em relação à idéia de ter uma banda era diferente das outras experiências que havíamos tido até então. Queríamos mostrar isso visualmente também. Além do mais, sempre gostamos de bandas que tocavam com seus terninhos / uniformes... Stones, Beatles, Byrds... era algo comum nos anos 60. De certo modo dá um sentido de unidade na banda.

Você está sempre em contato com pessoas em outros países e conseguiu alguns contatos. Há perspectivas concretas de distribuição/contrato fora do Brasil?

O que posso adiantar é que há no momento um interesse grande por parte de pelo menos três selos americanos em ouvir o novo material dos tamborines. Se isso vai dar em alguma coisa ou se isso significa muito eu não sei. Em partes fomos prejudicados pelo atraso no lançamento do primeiro álbum. Digo em partes porque hoje nós estamos em um nível de composição muito diferente e eu não quero outro "Dressed Up..." temos umas 16 músicas gravadas e esperamos lançar isso o mais rápido possível.

Andhye Iore, dez/2001

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