EVENTO
DJ’s fazem projeto beneficente
A cultura da cena eletrônica em Maringá cria vínculos com instituição de caridade e divulga sua arte através de festa onde a entrada é um quilo de alimento

Além da diversão, a música sempre foi um veículo de ação social. Apesar da fama de egocêntricos, egoístas e esbanjadores, muitos artistas tem uma preocupação em ajudar ao próximo.

São históricos eventos como o Live Aid, em julho de 1985. Originário de um projeto organizado pelo músico irlandês Bob Geldof (ex-Boomtown Rats), onde foram reunidos mais de 40 popstars da música internacional para a gravação da música "Do They Know It's Christmas? / Feed The World" em 1994.


Waltão e D.Vyzor: discotecando por caridade

A renda da venda do single foi revertida para as vítimas da fome na Etiópia, Africa.

Mesmo no Brasil, iniciativas particulares procuram diminuir o sofrimento dos mais necessitados. É o caso do grupo carioca O Rappa, que tem projetos sociais visando tirar as crianças faveladas da marginalidade.

CONCEITUAL

E Maringá acaba de estar inserida neste seleto meio. Um grupo de dj’s da cidade criou o Usina Eletrônica, que visa arrecadar alimentos para o Lar Escola da Criança de Maringá. Em toda segunda sexta-feira de cada mês, dj’s convidados se apresentarão no Tribo’s Bar e a entrada será um quilo de arroz ou feijão.

Vale ressaltar que o conceito de DJ neste caso está voltado para algo mais conceitual e não o tradicional bate-estaca – também conhecido como "pamperô". Os primeiros dj’s a se apresentarem serão D.Vyzor, Front Garcia e Waltão, todos envolvidos nas raízes da música eletrônica na região. Luis Toninato, parceiro de Garcia na banda Entropia, também participará do evento.

D.Vyzor, codinome de Fabrício – o idealizador do projeto – é especialista em drum’n’bass e hip hop; Front Garcia é considerado o dj de sonoridade mais radical passeando pelo industrial e pela Eletronic Body Music e Waltão rola um som mais voltado para o rock alternativo dos anos 80.

REPERCUSSÃO

O trio esteve envolvido diretamente nas melhores festas da cena eletrônica maringaense em cerca de dez anos de experiências sonoras com o "bolachão". E, graças ao vinil, scratches, passos alucinantes, flúor, raves, grafites, energéticos e viagens para se manter em sintonia com o que há de mais moderno na cena eletrônica, Maringá tem um bom conceito nesse universo que se reinventa tão rápido quanto as próprias bpms das músicas.

É o caso de D.Vyzor que já foi tocou em eventos em São Paulo em campeonatos nacionais de break dance de discotecagem. Para o dj, a cultura hip hop é um meio de acabar com as injustiças sociais do país ao mostrar que a periferia também produz trabalhos artísticos de qualidade. "É uma das funções da cultura hip hop. É ajudar quem precisa.", justifica D.Vyzor que uniu o útil ao agradável.

Como os dj’s alternativos não se preocupam com o que tocam nas rádios, estão sempre buscando novos singles e lançamentos que ainda não chegaram às pistas brasileiras. E, através de suas festas, podem mostrar ao público as músicas que levarão alguns meses para tocarem nas boates de "modinha".

CARIDADE

Sobre a idéia de doar alimentos para uma instituição de caridade, D.Vyzor teve a intenção de favorecer alguém. Como, muitas vezes, tocava sem receber nada nas festas, pensou em algo diferente. "Fiz um contato com a irmã que cuida do lugar e ela falou que tinha pouco apoio", lembra da iniciativa em colaborar com um trabalho social que ajuda cerca de 300 crianças no Bairro Santa Felicidade, um dos mais pobres da cidade.

Então, se você está cansado dos eventos organizados pelos "promoters trambiqueiros" que anunciam as melhores festas de Maringá, não mostram nada de novo, só copiam o que já foi feito há muito tempo e vivem de aparência nas colunas sociais, esta é uma oportunidade de vivenciar um evento cultural e social de verdade. Alguns (poucos, é verdade) estão ajudando. É o caso do Clever Light que cederá a iluminação, do Tribo’s por ser o palco do evento e da site cultural SUPERS pelo apoio.

Se você ainda tem alguma dúvida da importância do evento, basta ver o que vem acontecendo com o grafite que já é visto com outros olhos em Maringá. Mesmo com o preconceito que faz com que as pessoas confundam com pichação, o grafite já ganhou muitos muros da Cidade Canção que se transformaram em painéis coloridos, criativos e com mensagens de conscientização criadas por pessoas que tem algo na cabeça que não seja gel ou laquê. Tá ligado, mano?!?

Andhye Iore

SERVIÇO

Usina Eletrônica, dia 8 de fevereiro, sexta-feira, às 22h30, no Tribo’s Bar (Av. Cidade de Leiria). Entrada: um quilo de arroz ou feijão

INFORMAÇÕES

(44) 9962-3476