WRY

SHOW
Apesar do cansaço, Wry consegue manter o pique em Curitiba

Andye Iore, 2002

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A noite prometia ser uma das mais empolgantes para o público indie. O anúncio da turnê brasileira do Wry deixou os fãs da banda felizes por saberem que os sorocabanos estavam bem em Londres e, para quem não conhecia, havia uma curiosidade no ar. Afinal, como uma banda sai do interior de São Paulo e consegue se estabelecer musicalmente na capital mundial do rock?

Mas, nem tudo ocorreu bem. A van na qual a banda estava indo para Curitiba quebrou na metade do caminho. Os organizadores decidiram atrasar o show e a banda de abertura só subiu ao palco às 0h50. Com seu folk alegre, o Bad Folks mostrou que tem um futuro promissor. Os arranjos criativos, que incluem até a participação de um flautista, variam entre o country até o clássico rock’n’roll.

Apesar de não conseguir afinar bem os instrumentos, a banda empolgou em algumas músicas de seu show que durou cerca de 1 hora. Mais que eles planejavam. Para ganhar o público, o Bad Folks mandou "She Don’t Use Jelly", do Flaming Lips, e "Hotel Yorba", do White Stripes. Eram 2h da madrugada e o Suite Number Five e o Wry ainda não estavam no local do show, o que fez com que algumas pessoas deixassem o local.

E S P E R A

Às 2h30, os campineiros do Suite Number Five subiram ao palco correndo para um show curto. Foram 25 minutos de uma mistura de glam com indie rock 90’s. A banda passa um sex appeal, mas ainda rende melhor em estúdio que no palco. Ainda... Entre baladas lisérgicas e rocks viscerais, o show acabou com os versos arrasadores de "I Wanna Be Your Dog", dos Stooges.

O show do Wry começou tarde, por volta das 3h30. Quem ficou, presenciou a mesma empolgação que a banda apresentava em seus shows antes de mudar para Londres em agosto do ano passado. O vocalista e guitarrista Mario Bross está mais dono do palco e dá ares de quem nasceu para ser rock star. O baixista Chokito, por mais que tente ser discreto, atrai olhares, ora pela sua habilidade no baixo, ora pela atrativa cabeleira dred. Já o baterista Renato Bizar é um show à parte com sua agitação, caras e bocas. O único que mantém um ar de descrição é o guitarrista Lu Marcelo.

O show começou bem com uma música nova. "Sabrina" é tão empolgante quanto as melhores faixas de "Heart Experience". Mas, logo na segunda música, problemas com o som fizeram o show parar por cinco minutos. Então, Mário tirou as botas e as meias, disse que a banda estava acordada há 36 horas, mas ia fazer um bom show pros curitibanos. Promessa feita, promessa cumprida. Descalço e agitando como nunca, Bross chegou até a se ajoelhar ao cantar os versos de "The New Radio Station".

A P A T I A

Por volta das 4 horas, a banda agitava o palco com duas de suas melhores composições. "77:00" e "Distancity" são exemplos claros de porque a banda conquistou fãs na capital britânica, mesmo que o público curitibano insistisse em sua famosa apatia. Poucos dançam e a frente do palco fica vazia, como que revelando um medo de se aproximar das caixas de som. Em seguida, a cover de "Red Eyes and Tears", do Black Rebel Motorcycle Club, teve a participação de Flávio, vocalista do Suite Number Five nos vocais.

Para pegar um fôlego, a banda mandou "In the Breeze", cuja a letra quase profetiza o problema com o carro naquela tarde. Com "Jesus Beggar", Mário pôde fazer seu teatrinho novamente, como que rezando. Demonstrando cansaço, o Wry encerra o show com a punk "Red Shoes". Ao final da música, Mário se joga no chão, o microfone cai em cima e, em seguida, Renatão promove uma "drum demolition", espalhando peças da bateria pelo palco. No fundo do palco, escondidos do público, os músicos ficaram "largados" no chão exaustos.

O Wry ao vivo tem um dos melhores sets entre as bandas indies brasileiras. E esta é a grande arma deles na Inglaterra. A banda já conquistou calorosos elogios da imprensa alternativa de Londres. Em uma resenha de um show, um site inglês mandou: "... aproveitem para ver esta banda enquanto ela não é famosa!". E os brasileiros tem mais uma chance até agosto, quando eles voltam para Londres para preparar o lançamento do terceiro álbum por lá.

Saiba onde serão os outros shows da turnê

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SERVIÇO

Primeiro show da turnê "I Love & Hate You Brazil Tour"
Bandas: Bad Folks, Suite Number Five e Wry
Data: sábado, 13 de julho de 2002
Local: Portuguesa, em Curitiba (PR)

SET LIST

Sabrina
Speed Freak
The New Radio Station
Sundays
77:00
Distancity
Red Eyes and Tears
In The Breeze
Jesus Beggar
Red Shoes

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