ANIMAÇÃO

Desenho faz rir, chorar e refletir
Inspirado num livro, O Robô Gigante traz referências de religião, ficção e quadrinhos

Com o sucesso dos desenhos animados japoneses, outros estilos de animação passaram a ganhar destaque na mídia. Porém, um bom desenho não é coisa de criança e, muito menos uma arte recente. O mais legal dessa "moda" de animação é que muitos desenhos antigos estão sendo reprisados e alguns até refilmados. O recém-lançado em vídeo O Robô Gigante, foi inspirado no livro de ficção The Iron Man (1968), do britânico Ted Hughes. Apesar de não ser uma nova versão do desenho que passava na década de 70, onde um menino tinha uma amizade com um robô gigante, este vídeo tem muitas similaridades com o nostálgico desenho da tv.

Em 1957, na costa americana de Maine, algo grande cai do espaço no mar. Um navio bate em alguma coisa e o marinheiro dá de cara com um robô enorme que come um pedaço do barco, enquanto o marinheiro cai nas águas e vai parar na praia. Depois de salvo, o assustado marinheiro sai espalhando pela cidade que foi atacado por um monstro. Essa imagem assustadora leva poucos segundos no filme. Logo, percebe-se que o robô é amistoso e precisa comer ferro para "sobreviver". Na verdade, apesar da aparência agressiva ele age como uma criança solitária num mundo estranho. E, a história ganha em emoção quando, justamente uma criança de dez anos encontra o robô.

QUADRINHOS

Os dois formam uma bela amizade que começa com o medo do garoto e a desconfiança do robô, passa pelas fases de aprendizado entre os dois, vai até aventuras e brincadeiras e termina com eles enfrentando o medo e preconceito das outras pessoas. O menino, Hogarth Hughes, também é solitário e sua mãe reprime qualquer tentativa dele ter um animal de estimação para fazer companhia. Ao encontrar o robô, há uma identificação já que Hogarth sofre pela falta de amigos, indiferença da mãe que precisa trabalhar e preconceito dos companheiros de escola.

O curioso é que o filme toca em vários aspectos adultos que não são explorados pelos desenhos, como influência religiosa, educação familiar e ameaça nuclear. Há várias referências de quadrinhos (como Spirit, Mad, Superman e Action Comics) e a filmes trash de ficção científica. Todo esse embasamento serve para reforçar a representação da luta entre o bem e o mal, já que um agente do governo aparece na cidade para investigar a queda de um OVNI e passa a perseguir Hogarth. Depois de descobrir a existência do robô o agente, passa a caçá-lo e convoca o exército para destruí-lo. A partir daí, o robô apresenta armas que não conhecia para se defender quando se sente em perigo. Para enfrentar o poder do robô gigante o exército usa uma bomba que põe em risco a vida de todos na cidade.

SPIELBERG

O desenho foi feito por Brad Bird, que já trabalhou com outras duas animações conceituadas, como Os Simpsons e The King of the Hill. As vozes das personagens foram feitas por atores de sucesso como Jennifer Aniston (Friends) e Harry Connick Jr. (Independence Day). É impossível ficar indiferente aos apelos emocionais do filme que, através de um bom roteiro, boa trilha sonora com rock’n’roll clássico, boa arte e bons efeitos explora a comédia, a aventura e a sensibilidade, mostrando que as pessoas não estão preparadas para o que não conhecem; cada um é o que escolhe ser e que o próprio homem é uma ameaça à sua existência.

Vale ressaltar que dois filmes de sucesso, ET (de Steven Spielberg) e Spawn, tem várias semelhanças com a história de O Gigante de Ferro. Só é lamentável que ainda haja descaso com a animação. A Warner não se preocupou em caprichar no lançamento do filme no Brasil. A capa da fita não contém informações e créditos sobre a produção, não há trailler no começo da fita e a qualidade do som no filme é ruim. Mas, vale a locação.

SERVIÇO: O Robô Gigante (The Iron Giant) – EUA, 1999 - Desenho animado, 1h27. Distribuidora: Warner.

Andhye Iore