ELOYR PACHECO

Brainstore se consolida no mercado
O londrinense Eloyr Pacheco tem os direitos dos melhores
títulos da atualidade disponíveis nas bancas brasileiras

Que o mercado editorial de quadrinhos é bagunçado e que as editoras não respeitam os leitores não é novidade pra ninguém no Brasil.

Porém, algumas pessoas estão intencionadas em acabar com essa imagem negativa.

Apesar de não fazer magias como Tim Hunter e não enfrentar demônios como John Constantine, o londrinense Eloyr Pacheco, 41 anos, trabalha de maneira gradativa para fazer da editora Brainstore uma referência respeitável na história dos quadrinhos brasileiros.


Eloyr Pacheco e um de seus "filhos" queridos

Eloyr já participou de todos os processos da indústria dos comics no Brasil. É colecionador, teve banca, organizou eventos, escreveu no jornal, teve um programa de rádio sobre hq, foi secretário de redação de editora e, finalmente, montou sua própria editora. Nascido a 24 de novembro de 1960 em Londrina, o fã de hq arrendou uma banca em 1991 e revolucionou o ponto, que mais tarde seria conhecido em todo estado como Batbanca.

MUDANÇAS

Sempre apoiado pela esposa Yara Rodrigues, Eloyr ficou com a Batbanca até 1995 quando passou a trabalhar com eventos relacionados aos quadrinhos e RPG até 1997. Após um convite para trabalhar na Metal Pesado, uma versão brasileira da consagrada Heavy Metal, Eloyr mudou-se para São Paulo. Aí começava um trabalho visando uma política de continuidade e de respeito ao leitor.

Mas, nem todos tem o mesmo intuito quando se trata de dinheiro. Contrariando os planos do londrinense, "a chefia" da Metal Pesado desejava lançar muitos títulos sem um planejamento. Percebendo que seu trabalho estava sendo desprezado, Pacheco decidiu criar sua própria editora. E assim, em fevereiro de 1999, nascia a Brainstore Editora. Com o passar do tempo, Eloyr conseguiu os direitos de importantes títulos de quadrinhos e foi estruturando sua empresa.

Segundo o próprio Eloyr, sua empresa é enxuta. Trabalhando com tradutores free lancers, o staff da Brainstore conta com cinco pessoas divididas entre um assistente editorial, um funcionário para scaneamento e tratamento de imagens, a parte comercial (distribuição e pagamento) que é feita pela Yara e por uma secretária, além do próprio Eloyr que coloca a mão na massa fazendo o letreramento e os projetos gráficos. "A nossa preocupação é trabalhar a longo prazo. Não se monta uma editora de uma hora para outra. O fato de ter editoras pequenas, faz com que os produtos sejam mais fáceis de serem trabalhados.", explica o editor.

CATÁLOGO

Publicando a nata do selo Vertigo, da DC Comics, a Brainstore criou uma imagem sólida entre os leitores utilizando uma política de entrelaçamento de títulos. Assim, o catálogo da editora tem títulos e crossovers como "Sandman", "Hellblazer", "Preacher", "Livros da Magia", "Batman", "Lobo", "Hitman" e "Etrigan". "A idéia é fazer o leitor se acostumar e na hora que ele ver a marca da Brainstore, saber que aquilo tem continuidade.", explica.

Sobre o maior problema dos quadrinhos no Brasil, a Braisntore tem uma política de distribuição com linhas diferentes. Assim, há títulos específicos para bancas que tem uma tiragem maior, há a linha intermediária direcionada para bancas e lojas especializadas e uma linha mais restrita que é vendida somente em livrarias e lojas especializadas.

Outra iniciativa importante foi a volta do formatinho. Depois ser cancelado pela Abril, as revistas no formato menor voltam através da Brainstore com os títulos "Ghost & Batgirl" e "Spy Boy". "Eu aprendi a ler no formatinho. Muitos dos meus gibis são em formatinho. É um formato mais fácil de carregar e você pode reunir três edições americanas numa só, num custo mais acessível.", justifica a publicação de títulos neste formato.

A diferenciação no trabalho da Brainstore tem como melhor exemplo o título mais recente. "Sandman – Prelúdios e Noturnos" é uma edição especial única no mundo todo com arte em preto & branco, trazendo as sete primeiras edições encadernadas e com capa especial. Esta edição é limitada em apenas 1500 exemplares numerados e conta revisões de falhas da edição original, além de um rico trabalho onde foram colocados tons de cinza na arte.

METALINGUAGEM

Atento ao mercado, o editor procura variar seu catálogo. A Brainstore conseguiu os direitos para lançar a quadrinhização oficial do filme "Planeta dos Macacos" no Brasil. Além disso, também trabalha com mangás ("Tsunami") e títulos infantis ("Os Pequenos Perpétuos").

Ainda sobre cinema, Eloyr acredita que a onda de filmes hollywoodianos inspirados em histórias em quadrinhos pode ajudar a popularizar as hqs. "É preciso ter um marketing dizendo que o filme é um produto derivado dos quadrinhos.", indica. Perguntado sobre qual personagem dos comics gostaria de ver nas telas, responde enfático:


Linha editorial entrelaçando títulos como Lobo, Batman, Etrigan e Hitman

"Hellblazer! Acho que dá pra fazer um trabalho bem legal com esse lance de beberrão, fumante, canastrão misturado com magia e sobrenatural de terror urbano.", justifica.

Eloyr Pacheco e a Brainstore são os melhores exemplos de que um trabalho feito com humildade, honestidade, dedicação e respeito rende bons frutos. E, o mais importante de tudo: Eloyr saiu de uma cidade do interior do Paraná para se estabelecer como um dos principais editores num mercado competitivo como o da história em quadrinhos.

Texto e foto: Andhye Iore

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