FÁBIO VINÍCIUS
Desenhos rebeldes de um
desenhista criativo
Incompreendido, censurado e atento
às falhas das instituições, o jovem cartunista
Fábio Vinícius não se preocupa com as
conseqüências de seus desenhos
Fábio Vinícius é um
cartunista auto-didata e teve suas primeiras
experiências com jornais do colégio. Nascido a
21 de outubro de 1979, Fábio tem um jeito
espontâneo, apesar da aparente timidez. Com
grande capacidade para perceber situações
engraçadas num simples bate-papo com as pessoas,
o cartunista de 21 anos logo se destacou na turma
de Jornalismo, do curso de Comunicação Social
das Faculdades Maringá, onde começou a estudar
em 1999.
Durante as aulas,
enquanto um professor explica a matéria no
quadro, Fábio vai fazendo caricaturas dos mesmos
relacionando com o tema da aula. Isto já rendeu
vários elogios, como também perseguição de
alguns professores que não gostaram nenhum pouco
das "homenagens" do acadêmico.
Sobre seus
passatempos, o jovem cartunista fala: "Não
tenho religião, ídolo nem carro. Detesto
basquete, música country, Fórmula Indy, e
pagode. Sou corinthiano (só lembro os outros
disso quando o time ganha)".
Durante a campanha
política para a votação do primeiro turno em
Maringá, Fábio teve muitas fontes de
inspiração para apresentar sua crítica,
deboche e humor criativo. Inspiração que
continuou após as eleições, até com a
criação de um super-herói inspirado no atual
prefeito José Cláudio (do PT). A personagem
Super Zecla ganhou elogios até do próprio
prefeito.
Quanto a relação
produção/pagamento, Fábio tem sérios
problemas. Trabalha como auxiliar adminstrativo
na Embratel para pagar a faculdade e, até agora,
não ganhou muito (pra não dizer nada) com sua
produção de cartuns.
Apesar do talento,
Fábio tem um processo de produção desregrado.
Trabalha durante o dia na Embratel, à noite vai
para a Faculdade e depois, ou vai para a casa da
namorada ou para os barzinhos da UEM beber
cerveja. Fábio não acredita em produzir para
fazer o nome, acha que deve ser remunerado
sempre, independente da experiência, formação
ou qualidade. "Esse papo de "fazer o
nome, ficar conhecido" é papo de quem quer
se conformar com o trabalho não
remunerado."
Para fazer os
cartuns, usa os programas Corel Draw 9 e
Photoshop 5.0. Sobre o seu processo de
trabalho, fala: "Para se fazer uma charge
não é apenas pegar a caneta e rabiscar qualquer
porcaria (embora a crítica diga que só faço
porcaria e tal). Você tem que ficar pensando na
situação, nas falas, quantas pessoas vão
entender (Todas? Algumas?), quantas vão se
ofender, desenhar, apagar, desenhar novamente
até ficar do jeito que quer, scannear, editar no
computador....puta merda, não é um
trabalho???"
Entrevista
com o cartunista Fábio Vinícius:
SUPERS
O que você pensa quando alguém
não entende um cartun seu?
Fábio - É
normal a pessoa não entender uma charge ou
outra. O que ocorre é que sempre faço charges
sobre acontecimentos de Maringá e região, e o
pessoal que lê o jornal uma vez ou outra quase
sempre acaba boiando. Claro, também colaboro com
isso, pois fazer a charge, ao menos no meu ponto
de vista, é bem mais complicado que fazer uma
sequência de três, quatro quadrinhos, onde a
contextualização do leitor fica muito mais
fácil. A função básica da charge é fazer
crítica com um só quadrinho. São meus
primeiros três meses e acredito estar
melhorando.
Qual é a sua técnica de
trabalho?
Uso caneta Bic, de
preferência com tinta preta e uma ou duas folhas
de A4. A idéia vem do jornal (Hoje Maringá) do
mesmo dia ou do anterior. Às vezes, ligo
perguntando qual é a bomba pro dia seguinte, mas
quase sempre não há grandes novidades. Primeiro
desenho no papel com lápis comum (de
preferência daqueles que vem com borrachinha), e
quando acho que o desenho está bom, passo a Bic
por cima. Aí scaneio a figura e jogo no Corel
9.0. Dependendo da necessidade dou um arremate no
Photoshop.
Qual gênero de cartun que você
mais gosta de fazer?
A charge que mais
gosto de fazer é aquela que bate com a notícia
da capa, se esta for sobre algum assunto
polêmico da cidade. Gosto porque mesmo o leitor
que não acompanha o noticiário local acaba
entendendo, uma vez que o contexto está na capa
do jornal.
Qual cartunista que você acha o
trabalho
interessante e um que você não gosta?
Curto os trabalhos
do Laerte, Glauco, Angeli e Bill Watterson. Nunca
fui com a cara dos quadrinhos do Ota, o cara é
ruim mesmo, não de traço, mas de criatividade.
2000
Andhye
Iore
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