MARCATTI
A escatologia está de volta
Marcatti, o mestre do quadrinho underground brasileiro, volta
a editar suas revistas em título de apenas R$ 1,00

Glória, glória! Aleluia! Desculpem a blasfêmia, mas o quadrinhista Marcatti está de volta. O desenhista paulistano é o melhor exemplo de quadrinhos underground.

Claramente inspirado pelos americanos Robert Crumb ("Fritz") e Basil Wolverton ("Mad")", o traço de Marcatti é característico e apresenta cidadãos comuns e pacatos em atitudes monstruosas.


Frauzio: de aparente inocência à nojeira repugnante

Como a maioria dos grandes quadrinhistas, iniciou sua carreira publicando fanzines em 1976 e seguiu criando suas histórias escatológicas alternativamente até 1980, quando comprou uma impressora off set.

BUCOLISMO E FEZES

Apesar de se livrar de um dos problemas, que é a recusa das editoras em publicar material alternativo, o artista não conseguiu se livrar do maior deles: a distribuição.

Mesmo editando suas revistas em casa, através da editora Pro-C, o trabalho de Francisco de Assis Marcatti Júnior seguia de mão em mão e só era encontrado em lojas especializadas em hqs.

Sempre alternando entre bucolismo, sexo e fezes, as histórias tem um humor surrealista com personagens caricatos com corpos de forma distorcida.

Além de suas próprias revistas, o desenhista também publicou na Mil Perigos, Chiclete Com Banana e Circo ao lado dos maiores nomes dos quadrinhos brasileiros.

MÚSICA

Mas, foi com ilustrações para capas de discos que o trabalho do artista ganhou mais destaque. Em 1989, Marcatti desenhou a capa do disco "Brasil" da banda hard core Ratos de Porão, em 1991 repetiu a parceria com a banda de João Gordo no disco "Anarkophobia" e, em 1992, fez a capa para o disco "Entre e Ouça", de Ed Motta.

Ainda em 1992, publicou seu título de maior repercussão. Em parceria com João Gordo, a revista "RxDxP Comix" chegou a uma tiragem de 18 mil exemplares, enquanto os outros títulos produzidos em sua gráfica caseira variavam entre 500 a 1000 exemplares.

De 1993 a 2000, misteriosamente o desenhista cult sumiu. Em 2000, voltou numa coletânea batizada de "Restolhada", participando da edição de 16 histórias do título lançado pela Ópera Grahica.

A VOLTA

E, em julho desse ano, a editora Escala lançou nas bancas de todo o país a série "Frauzio" pela ninharia de R$ 1,00. Com uma tiragem de 52 mil exemplares e colorida, a personagem título é qualquer coisa, de qualquer forma sem o menor critério ou pudor, segundo o autor.

Independente de ser um processo ou não da indústria cultural, é genial ver um trabalho antes restrito, ao menos estar nas prateleiras ao lado de títulos da Marvel, Dc, Abril ou Globo.

Em tempos onde a linguagem politicamente incorreta é moda, Marcatti já é um veterano. Quem fica chocado com South Park ou Beavis and Butthead, é melhor nunca ler nada do artista que desenha, escreve e edita seu trabalho de maneira visceral, revelando a anarquia social com um humor denunciante em 178 obras numa carreira de 24 anos.

Andhye Iore/2001

ENTREVISTA

TRABALHOS

CONTATO

marcatti@marcatti.net