METROPOLIS
Animação japonesa está cada
vez mais ocidental
Reunindo
trabalho de três respeitáveis artistas
japoneses, "Metropolis" é um show
visual e sonoro onde a sociedade se transforma em
vítima de sua própria tecnologia
| Que as
animações japonesas se ocidentalizaram,
não é novidade para ninguém que
conheça um pouco de quadrinhos e
mangás. Porém, essa influência (ou
assimilação) chegou a um nível
exagerado com "Metropolis". Criado
originalmente por Tezuka Ossamu (de
"Astro Boy") em 1949, esta
versão para as telas nem parece japonesa
- a não ser pela suntuosidade das
imagens e foi escrita por
Katsuhiro Otomo (de "Akira") e
dirigido por Rintauro (de "A Espada
de Kamui").
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Metropolis:
conflitos entre humanos e robôs
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A princípio duas
referências movimentam a memória: o filme
alemão "Metropolis" (1927, dirigido
por Fritz Lang) e do quadrinho belga "Tin
Tin" (1929, criada por Hergé). Além do
título, o filme de Lang também foi fonte de
inspiração para a idéia central da animação
oriental. Uma cidade do futuro é dividida em
setores, onde seus habitantes tem distintas
funções.
REALISMO
Já a arte lembra
muita coisa das aventuras da personagem belga. Em
algumas seqüências, parece que o cenário e as
personagens de "Tin Tin" foram
transportadas para um futuro caótico. E, o mais
curioso de tudo é que algumas personagens estão
mais para caricaturas, como desenho de tv, que
para uma aproximação humana, como é comum na
anime.
O filme é
surpreendente. As referências, o detalhismo
realístico característico das obras do gênero,
a perfeita combinação entre um colorido visual
espetacular com as mais novas tecnologias
digitais e um suporte de efeitos sonoros
impressionantes, colocam "Metropolis"
na galeria ao lado de "Akira" e
"Ghost in the Shell" como um daqueles
filmes que se assiste de boca aberta.
Com o já comum
tema de conflito entre humanos e robôs no
futuro, o filme começa ao som de jazz ao estilo
big bands. As cenas iniciais apresentam as
personagens e explicam alguns conceitos. Os
robôs são divididos em classes, tem áreas
específicas para atuar e não podem usar nomes
humanos, o que seria uma violação. As cidades
tem níveis diferentes e, quanto mais inferior a
localização, maior o perigo. A cidade-estado do
título passa por uma manifestação caótica de
humanos anti-robôs, enquanto um cientista cria
uma arma poderosa na forma de uma bela garota:
Tima.
DESTRUIÇÃO MELÓDICA
Com tudo isso, um detetive
e seu jovem assistente caçam o cientista, mas
já é tarde demais. Para complicar as coisas, um
homem poderoso quer controlar a humanóide Tima
para interesses próprios. Ajudado por Rock, um
caçador de robôs ("Blade Runer"?) com
visual inspirado nos nazistas outra
referência presente no filme de Fritz Lang, o
vilão deseja conquistar o mundo, mas não conta
com a surpresa da inocência de Tima tomar rumos
inesperados e causar uma destruição em massa em
meio à conspirações e um golpe militar que, na
tela, resulta num espetáculo comum nas
animações orientais: violência e grandes
seqüências de ação.
Entre tantas cenas
de gigantismo, o filme tem um desfecho magistral
ao som de "I Cant Stop Lovin
You" (1960), de Don Gibson, num resultado
inusitado com slow motion com a cidade sendo
destruída enquanto Tima revela sua verdadeira
natureza. Como sempre, a última cena tem uma
mensagem otimista.
Andhye
Iore
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SERVIÇO
Matropolis
Japão, 2001
Animação
Direção: Rintauro
Roteiro: Katsuhiro Otomo
Fotografia: August Jakobsson
Vozes: Yuka Imoto, Kei Kobayashi, Kohki Okada
Duração: 1h30
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