POLÊMICA
Pokémon x Castelo Rá-Tim-Bum
Apesar da mania do desenho japonês, é possível
salvar as crianças
Bons tempos quando
programa infantil era Vila Sésamo, Muppets e
Sítio do Pica-Pau Amarelo. Bons tempos quando os
mais legais apresentadores de programas infantis
eram a Paula Saldanha com sua consciência
ecológica e o Daniel Azulay que tornava as
crianças produtivas com suas aulas de desenho e
confecção de brinquedos.
Hoje, parece que a
televisão se transformou num simulador de
guerra: pura violência. Hoje, parece que os
programas infantis são gravados numa boate de
strip-tease da Suécia: loiras usando trajes
sumários.
Com toda
exploração da mídia em cima do desenho
Pokémon, fica difícil para os pais livrarem
seus filhos da pokémania. Começou com o desenho
na tv, passou para brinquedos, figurinhas,
revistas, cosméticos, roupas, jogos, filme no
cinema e fitas nas locadoras.
Mas, senhores
pais, não se desesperem. Ainda há salvação.
É claro que depende da cultura de cada família
e de como os pais acompanham o desenvolvimento de
seus filhos. Na verdade, o maior problema da
influência da pokémania nas crianças não vem
da mídia e sim da omissão dos pais na
educação dos filhos. Mas o que uma questão
pedagógica está sendo discutida numa coluna
sobre cinema?
É que muitos não
sabem, mas é incrível a frequência com que os
pais vão às locadoras de vídeo e locam
desenhos pelo tempo de duração da fita e não
pelo conteúdo. "Quanto mais longo for o
desenho, mais tempo o meu filho não me dá
trabalho!", justificam os pais que
procuram sossego e não um filho com boa
formação cultural.
Isto, sem contar
dois fatos lamentáveis envolvendo o desenho dos
monstrinhos de bolso: o primeiro foi no Japão,
quando várias crianças tiveram convulsões e
foram parar no hospital devido às luzes e
imagens rápidas do desenho. O segundo foi nos
Estados Unidos, quando uma rede de fast food dava
um Pokémon de brinde para as crianças que
compravam um lanche. Um menino achou que o
Pokémon estava preso na bolinha de plástico e
morreu asfixiado com um pedaço do brinquedo na
garganta ao tentar abrir a bolinha para salvar o
bichinho.
Essa discussão se
faz oportuna com o lançamento de dois filmes em
vídeo: "Pokémon - O Filme" e
"Castelo Rá-Tim-Bum". O primeiro traz
toda a rivalidade entre os criadores de Pokémon,
em uma disputa entre um Pokémon do bem e um do
mal em cenas repletas de violência exagerada e
gratuita. Idiotice sem tamanho com desenhos mal
feitos.
O outro filme é
uma surpresa agradável e melhor, é brasileiro
(apesar das referências à Família Addams). A
versão para o cinema da boa série da Tv
Cultura, "Castelo Rá-Tim-Bum", é uma
aventura e comédia onde um menino, Nino, é um
aprendiz de mago e tem que apresentar seu livro
de feitiços mas nem começou a escrevê-lo. Ele
conhece outras crianças, passa a se interessar
pelo mundo dos mortais e vai ser a única
salvação da família contra a malvada Tia
Losângela que quer se apoderar do castelo e dos
poderes de todos.
A criança tem a
identificação com outras crianças do filme
fazendo coisas possíveis, tem mensagens
positivas e também lida com a temática do bem
contra o mal, mas de uma maneira inteligente e
agradável. Enfim, é um filme para toda a
família se divertir reunida.
A opção de locar
uma fita do Pokémon cai simplesmente no nível
de inteligência de cada pai, ou melhor, no
quanto cada pai gosta de seu filho. Afinal,
opções melhores existem aos montes.
Andhye
Iore
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SERVIÇO
"Pokémon - O Filme", desenho, 1h15.
Warner.
"Castelo Rá-Tim-Bum", com Marieta
Severo, Sérgio Mamberti e Matheus Nachtergaele.
Direção: Cao Hamburguer. 1h48. Columbia.
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