SONIA LUYTEN

BIOGRAFIA

Professora universitária e autora de livros, Sonia Luyten
analisa as hqs como fenômeno da comunicação

A história em quadrinhos ainda é vista por muitos como algo infantil. Por mais que as editoras voltadas para o público adulto lancem títulos e mais títulos com temáticas ideológicas, de relações humanas ou histórias repletas de sexo, violência e terror, os quadrinhos sofrem preconceito e são chamados de gibis.

Porém, há os que trabalham contra esse conceito. Especialista em mangás, a paulistana Sonia M. Bibe Luyten, 53, não se contentou só em ser leitora das revistas de arte seqüencial. Sonia foi professora na USP entre 1972 a 1984, dando aula na Escola de Comunicações e Artes da instituição.

Em seguida, aumentou suas referências sobre hq dando aula nas universidades de Osaka e de Tokyo, no Japão, na Universidade de Utrecht, na Holanda e na Universidade de Poitiers, na França, onde teve contato direto com outros gêneros de quadrinhos. Além de ser autora de livros conceituando e discutindo os comics.

Sobre a contextualização infantil que os quadrinhos tem no Brasil, Luyten acredita que seja uma falta de heróis nacionais na faixa dos adolescentes. "Fica uma defasagem nos leitores nesta passagem do quadrinho infantil para o adulto. E o adulto que não segue seus heróis desde a infância, passando pela adolescência, perde o vínculo e portanto só vê os quadrinhos como algo infantil.", justifica.

Em seu trabalho, há uma preocupação com os artistas brasileiros. Sempre que pode, faz referências ao estilo dos desenhistas, bem como à falta de visão e política das editoras nacionais. Como o Brasil é um dos países onde mais se vende quadrinhos e, curiosamente, não tem um mercado estruturado, a situação é um prato cheio. "Sem a gente partir do local, fantasiando, nunca conquistaremos um lugar no mundo. Os desenhistas que o fizeram, bem como os escritores e cineastas, tiveram seu nome reconhecido.", divaga Sonia, que ainda critica o processo de trabalho dos artistas brasileiros que sempre procuram copiar o traço de artistas americanos.

Lançado em 1991, o livro "Mangá, o Poder dos Quadrinhos Japoneses" (Editora Estação Liberdade/Hedra), apresenta o mangá japonês como fenômeno de comunicação de massa, onde é feita uma análise histórica e cultural do gênero. Com origem numa tese da universidade, a obra de 250 páginas foi premiada num festival italiano. Como prova da importância do livro, ele foi escolhido num projeto do Governo do Estado de São Paulo, que encaminha obras literárias para bibliotecas paulistas.

Uma das discussões interessantes envolvendo suas pesquisas, vale salientar a ocidentalização dos mangás. Além da exportação de trabalhos japoneses para o mercado editorial americano, os próprios japoneses também sofreram influência da forma e do conteúdo ocidental. "Os mangás passaram por uma transformação no visual a começar pelas heroínas. Mudanças nos olhos e um aumento do busto: uma obsessão norte-americana!", afirma Luyten.

Sonia M. Bibe Luyten esteve em Maringá no dia 29 de novembro, palestrando no IV SIECOM. Além dos mangás, os fãs de quadrinhos tiveram a oportunidade de encontrar uma pesquisadora disposta a conversar sobre o fim dos formatinhos, o quadrinho europeu, a relação entre hq e internet, a ocidentalização dos quadrinhos japoneses, entre outros temas dessa arte contagiosa. Confira na entrevista exclusiva.

Andhye Iore

ENTREVISTA