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Andhye Iore - Qual foi a origem do projeto da Play?

Alexandre Matias - O projeto original da revista é do André Forastieri, e já existia antes de eu entrar na editora (no início de 2001). Quando eu entrei, a gente passou uns seis meses em cima do que ela poderia se tornar, testando formatos, logotipos, nomes, abordagens, público-alvo, esse tipo de coisa...

Como rolou o contato com a Conrad?

Eu editava o caderno de cultura do Correio Popular, em Campinas, e colaborava com uma série de publicações (em papel e online) sobre cultura pop, em geral. O André acompanhava meu trabalho em diferentes meios e me chamou para a editora para desenvolver o projeto que viria se tornar a Play.

Qual é o conceito de ter tanto game na revista (dá a impressão de uma revista feita por um monte de gente que joga junto...)?

Videogame é uma parte determinante da cultura pop atual, tanto quanto computador e internet. O problema é que, aqui no Brasil, ainda é visto como diversão infantil, ao passo que lá fora é uma indústria tão grande e respeitável (talvez até mais, se analisarmos na ponta do lápis) que a fonográfica, por exemplo. A Play é uma revista de cultura pop do século 21, não dá pra desprezar o videogame. E, sim, toda a redação joga videogame.

Você já vem escrevendo sobre cultura pop há um bom tempo.
O que fez com que você saísse do jornal para a revista?

O fato de no jornal eu já estar estagnado em termos de evolução profissional (muito por conta das condições dentro do veículo) e o fato de eu poder estar na Conrad, que é, sem dúvida, o melhor lugar para se trabalhar cultura pop no Brasil, hoje.

Quais as diferenças desta mudança?

O formato e abrangência dos textos, o ritmo da produção, uma agilidade estratégica e programação.

Por que você acha que não se forma uma
"cena" alternativa entre as bandas brasileiras?

Porque as pessoas perdem muito tempo pensando em "cena" e deixando de por a mão na massa. E também há a confusão entre underground e mainstream: muitas bandas começam "alternativas", mas querem emplacar o trabalho junto às grandes gravadoras; outras saem sem pretensão comercial nenhuma, mas o hype acaba deixando-as maior do que o que elas queriam.

Qual é a importância da internet em seu trabalho?

Fundamental. Sem internet, o trabalho seria mais braçal, a comunicação seria mais lenta, a agilidade de produção sofreria consideravelmente e não teríamos essa sensação de proximidade com o resto do mundo.

Leia matéria sobre a estréia da Play

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