VARIEDADES
OPINIÃO
Oscar teve clima de compensação
Premiação e homenagem a atores negros chega a
ofender
Tudo começou com
a simpática atriz Woopi Goldberg que apresentou
o evento. De piadinha em piadinha, ela não
perdia a oportunidade de alfinetar a academia e a
sociedade americana relacionado seus comentários
ao preconceito contra os negros. Até parecia que
estava tudo combinado nos bastidores.
Dois dos
principais Oscars foram para atores negros. Pela
primeira vez uma mulher negra recebeu uma
estatueta. A bela Halle Berry foi muito aplaudida
quando subiu ao palco para agradecer por ser
eleita a melhor atriz do ano por seu desempenho
no filme "A Última Ceia". O discurso
o mais longo da noite foi cheio de
emoção e caracterizado como um momento
histórico.
O outro Oscar foi
para Denzel Washington, pelo filme "Dia de
Treinamento". Ele foi o segundo negro a
receber a estatueta dourada. O primeiro foi
Sidney Potier que ganhou em 1964 por "Uma
Voz nas Sombras". E, diga-se e elogie-se o
desempenho de Washington como o policial corrupto
Alonzo é memorável. O público até comemora
com o final "não muito favorável" a
ele.
Pra reforçar
ainda mais a "compensação", a
Academia decidiu dar um Oscar especial a Potier.
Assim, numa noite só, foram três negros
premiados quando era raro a estatueta ir para as
mãos de apenas um.
O que, vale
ressaltar, é uma besteira enorme porque são
atores e a classificação é somente quanto a
ator bom ou ruim e não branco ou negro. Isso
serve apenas para explicitar ainda mais o quão
preconceituosa é a sociedade americana. Em um
país onde há negros talentosos não só no
cinema, como em muitas outras áreas (no esporte,
por exemplo), uma "homenagem" descarada
dessa chega a ser ofensivo até.
Andhye
Iore, março/2002
TELEVISÃO
Esses programas brasileiros de reality shows
se transformaram num verdadeiro circo. O Big
Brother é ridículo com aqueles participantes
sem sal nem açúcar e escolhidos pela Globo nos
bastidores enganando milhares de pessoas que se
inscreveram no país todo. A Casa dos Artistas
tem dois ets: Tiazinha e Feiticeira. A Tiazinha
não viu um disco voador, ela caiu de um (há,
há, há, há, há!!). Vá ser burra assim lá em
Saturno. Pra completar, entrou aquela vadia da
Carola. Todo mundo sabe, nos bastidores das redes
televisivas, que ela não é flor que se cheire.
Além da baixaria que ela aprontou com o
Chiquinho Scarpa, ela já deu "shows"
homéricos só porque queria ser atriz. Apesar
dos dois programas serem lamentáveis, vale dar
uma audiência para o SBT só pra quebrar um
pouco a onda da Globo. Ao menos, a liderança do
SBT no IBOPE serve pra mostrar que as pessoas tem
direito a outra opção de programação e que a
Globo não tem aquela supremacia toda.
Andhye
Iore, março/2002
GLOBALIZAÇÃO
Olá cidadão globalizado!
Apesar de muitos não perceberem, estamos todos
numa sociedade globalizada. Economia globalizada,
lazer globalizado, ensino globalizado, teconolgia
globalizada, cultura globalizada, política
globalizada e, enfim, ideologias diversas
globalizadas. Toda essa globalização, é claro,
com seus defeitos e problemas globalizados.
Desemprego, guerras, preconceitos, doenças e
crises diversas também.
O mais otimista diria: "É preciso
sacrificar alguns para um futuro melhor!" O
mais pessimista diria: "Salve-se quem
puder!" É obvio que o pessimista tem mais
razão.
Numa sociedade tecnocentrica, o humanismo não
tem espaço. As pessoas olham o mundo através de
suas máquinas (o carro, o computador, o celular
e a tv) e as relações humanas vão se
degradando. É por isso que os namoros não
duram, que há muitos divórcios. É muito
difícil conviver com outra pessoa, depois de
conviver tanto tempo com tantas máquinas em meio
à globalização.
Cidadão globalizado, estamos cada vez mais
globalizados e mal pagos. Por isso, globalizemos
os palavrões a partir de agora:
"Globalização que o pariu!" ,
"Filho de uma globalização mal
feita!" . Com certeza, estas serão as
maiores ofensas deste milênio.
Andhye
Iore
PROBLEMAS NUM CURSO DE
COMUNICAÇÃO SOCIAL
Como era boa a minha escola...
Passada a euforia
de estar realizando um sonho, o acadêmico de
Comunicação Social encontra-se com a dura
realidade. A condição de alguns cursos de
Comunicação Social fica muito a desejar para um
curso de terceiro grau.
Porém, como a
profissão de comunicador exige um senso crítico
mais apurado, é preciso estar atento à
essência dos problemas e não voltar a
"revolta acadêmica" para a aparência
das coisas.
É claro que
gostaríamos de estudar em classes confortáveis
e termos uma boa estrutura em equipamentos. Mas,
o que tem maior importância nas atuais
condições é a formação que teremos ao sair
com o diploma nas mãos.
Isto deve ser
considerado prioridade uma vez que o mercado de
trabalho é restrito e não estamos sozinhos.
Competimos com outra instituição que também
colocará pessoas no mesmo mercado de trabalho.
O mais engraçado
de tudo isso é o comportamento de muitos alunos
que agem como se já tivessem um lugar absoluto
na mídia sem terem um mínimo da prática fora
da faculdade. E isto é completamente diferente
do que se aprende numa sala de aula.
É comum a
"glamourização" da profissão. A
maioria cria uma expectativa de que ser
comunicador é trabalhar na televisão, conviver
com artistas e, por isso, sofre as maiores
dificuldades durante e após o curso. Ao se
defrontarem com alguma dificuldade em sala de
aula, bradam contra o professor: "Eu não
sei fazer isso! Não me sinto capaz de fazer
isto!"
E quando estiverem
no mercado de trabalho (se conseguirem chegar a
este estágio...) e o patrão solicitar um
trabalho? A resposta será simples: "Eu não
aprendi isto na faculdade!"
Com os pés no
chão, podemos apontar claramente os dois maiores
problemas das Faculdades Maringá: o primeiro é
o método de aula dos professores, que não podem
elaborar aulas mais "puxadas" porque
são questionados pelas turmas que só querem
moleza. Quantas vezes os alunos
"exigiram" provas com consulta,
questionam professores porque não conseguem
acompanhar o ritmo das aulas ou pedem trabalhos
em grupos para poderem se apoiar nos colegas?
São coisas banais, mas que acontecem em todas as
turmas de Comunicação Social... e jogue a
primeira pedra quem não esteve inserido numa
destas três situações.
O segundo problema
surge justamente em função do comportamento dos
acadêmicos. Como ser um bom profissional se
você não quer ser testado em sala de aula?
Quanto mais complexa for a aula, maior será o
seu conhecimento e, consequentemente, poderá
entrar em contato com diferentes formas de
prática profissional. Quer moleza? Vá morder
minhoca!
O mais incrível
ainda são as pessoas se limitarem ao mercado em
Maringá. O campo da comunicação é amplo, mas
está aberto às pessoas com capacidade de
visualizar esta amplitude. Já é um discurso
comum de que não há muitas vagas em Maringá.
Ainda mais com o encerramento do departamento de
Jornalismo de duas redes de tvs locais. E, ainda
tem gente que acha que só porque está cursando
Jornalismo vai trabalhar na televisão. Só se
for de faxineira!
Depois que acabar
o curso e confirmar a triste realidade do mercado
de trabalho, é tarde para lembrar as
oportunidades que perdeu enquanto estava
estudando.
Andhye
Iore
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